Automóveis a
HIDROGÉNIO

Tecnologia

 

Que o futuro do automóvel será elétrico, disso parece já não haver qualquer dúvida. Mas será que a fonte dessa energia elétrica vai ser apenas a bateria, solução tecnológica hoje já generalizada? A resposta a esta questão já não é assim tão unânime, havendo quem aposte forte também no futuro dos veículos elétricos a pilha de combustível alimentada a hidrogénio. Como é o caso da Toyota, pioneira nesta área, marca que acaba de apresentar no mercado português a nova geração do seu modelo a “fuel-cell” Mirai, confirmando mesmo a sua distribuição nacional. Ou da Hyundai, que já anunciou estar preparada para fomentar nos próximos anos o desenvolvimento de infraestruturas de emissões zero incluindo pontos de carregamento elétrico e postos de abastecimento de hidrogénio. Mas os industriais do setor automóvel não estão todos de acordo quanto à viabilidade da solução hidrogénio, como facilmente se comprova através destes exemplos recentes de declarações públicas: “Não acredito no hidrogénio para uso nos carros. (...) A solução para o automóvel é a bateria” (Markus Duesmann, CEO da Audi); “É muito caro, ineficiente, lento e difícil de distribuir e transportar. (...) Não vejo carros a hidrogénio no horizonte” (Herbert Diess, CEO do Grupo Volkswagen)...

O tema pode não gerar consenso, mas é inegável que existem sim algumas vantagens práticas (e também, claro, desvantagens) na aplicação desta tecnologia face às baterias, pelo menos àquelas que hoje conhecemos...

 

Prós e contras

Para começar, o H2 é o elemento químico mais abundante no nosso planeta, podendo ser encontrado em vários recursos naturais (como a água, H2O), o que o torna uma fonte energética praticamente inesgotável, além de muito eficiente. Por outro, em termos práticos um automóvel elétrico a célula de combustível resolve as duas grandes limitações dos modelos a bateria (BEV) atuais – a autonomia e o tempo de recarga da bateria –, mantendo os benefícios das zero emissões: “As viaturas a hidrogénio permitem autonomias e tempos de enchimento do depósito equivalentes às que nos habituámos com os motores de combustão interna”, recordou o Presidente da Associação Portuguesa para a Promoção do Hidrogénio em recente entrevista à BlueAuto.

Quanto às principais desvantagens, a inexistência de uma rede de abastecimento será provavelmente o maior obstáculo prático que a adoção desta tecnologia ainda enfrenta, além de que o investimento numa infraestrutura alargada deste tipo é considerado muito dispendioso, tal como dispendioso é também o processo de produção, incluindo o transporte e armazenamento.

 

Que futuro?

Tudo isso pesado, poderemos de facto estar cada vez mais próximos de assistir à adoção da mobilidade a hidrogénio como solução competindo diretamente com as outras alternativas de mobilidade: atualmente ainda uma tecnologia emergente, o hidrogénio como fonte de energia da pilha de combustível automóvel poderá assim conviver com outras soluções, como as baterias elétricas, os combustíveis sintéticos renováveis e (ainda por mais algum tempo) os motores de combustão interna, revelando-se particularmente competitiva sobretudo em segmentos como o dos veículos comerciais de carga ou passageiros, e mesmo nos ligeiros de passageiros no caso de percursos não urbanos. Contudo, isso só deverá ser realidade já depois de 2025, com estudos e projeções atuais a estimarem que a penetração dos automóveis a hidrogénio no mercado total só atingirá o seu verdadeiro potencial por volta do ano 2050...

 
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