WLTP: perguntas e respostas sobre o novo ciclo de testes

É um dos temas na ordem do dia: já a partir de 1 de setembro, entra em vigor na União Europeia um novo sistema padronizado de medição das emissões e consumo dos automóveis, mais rigoroso e mais realista ao reproduzir de modo mais eficaz aquilo que sucede em condições reais de condução. E o interesse pelo tema é ainda maior pelo facto dessa mudança anunciada poder ter como principal consequência prática, para um mercado como o português no qual a fiscalidade automóvel é calculada levando em conta também a performance ao nível de emissões, um acréscimo no preço final dos carros novos. Para tentar ajudar a perceber um pouco melhor o que está em causa, aqui ficam aquelas que poderiam ser as FAQ (‘frequently asked questions’) do WLTP, com um resumo das questões (e, claro, respetivas respostas) mais frequentes e pertinentes sobre o tema...

WLTP: O QUE É? ‘Worldwide Harmonised Light Vehicle Test Procedure’ (WLTP) é um novo processo harmonizado de medição de emissões e consumo. Este conjunto de testes laboratoriais tem caráter obrigatório, certificando que todos os automóveis que chegam ao mercado estão em conformidade com a legislação (neste caso, europeia), respeitando as normas antipoluição que impõem – como se sabe – limites máximos de emissões de gases poluentes e de CO2. Paralelamente à implementação do protocolo de homologação WLTP, a norma antipoluição que estes veículos devem respeitar evoluirá também progressivamente com o objetivo de reduzir o impacto ambiental.

PORQUÊ O WLTP? O anterior padrão europeu – ‘New European Driving Cycle’ (NEDC) – vigora desde os anos 80 do século passado, estando pois, considerando a evolução tanto em termos de tecnologia como nas condições de condução, obsoleto. Daí a necessidade de um novo ciclo de testes para certificar os veículos novos que chegam ao mercado, mais atual e que reproduza de modo mais eficaz as situações de uma utilização real. Além destes testes laboratoriais, os automóveis novos são cada vez mais sujeitos também a um procedimento experimental denominado ‘Real Driving Emissions’ (emissões em condições reais), que requer que os veículos sejam testados em estrada de maneira a que os resultados finais possam ser ainda mais representativos das condições reais de utilização

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QUE VANTAGENS? As vantagens da aplicação prática do novo ciclo WLTP são exatamente essas: as condições de realização dos testes de acordo com o novo standard representam um modelo mais correto do consumo e das emissões dos automóveis de acordo com um perfil de condução mais realista, já que levam em conta com maior rigor caraterísticas como a duração do ciclo de testes, distância percorrida, velocidade, aceleração e desaceleração, tipo de veículo, os equipamentos e as opções escolhidas. Assim, os resultados finais aproximam-se mais da realidade, ao contrário do ciclo NEDC, cujos resultados não são consistentes com os obtidos em situações reais de condução.

QUANDO? Na realidade, a introdução do novo ciclo WLTP já começou há quase um ano, obedecendo a um calendário predefinido que prevê várias etapas, de modo a permitir uma transição mais suave entre os dois protocolos de homologação: n 1 setembro 2017 a 1 setembro 2018 todos os novos modelos devem ser homologados segundo o ciclo WLTP n a partir de 1 setembro 2018 o ciclo WLTP deve aplicar-se a todos os novos veículos matriculados n a partir de 1 janeiro 2019 todos os carros à venda devem passar a referir exclusivamente valores WLTP

O QUE MUDA ENTÃO A 1 SETEMBRO? Como se viu acima, a partir de 1 de setembro deste ano todos os carros novos devem passar a ser certificados segundo o novo ciclo ‘Worldwide Harmonised Light Vehicle Test Procedure’, caducando o NEDC. Contudo, na prática, está previsto que durante mais um ano possa continuar a ser comercializado, para permitir o escoamento de stocks, um número limitado (até 10% do volume de vendas da marca no ano anterior) de veículos já matriculados e homologados ainda segundo o ciclo NEDC. Por outro lado, e de modo a simplificar e ajudar à transição NEDC-WLTP (que é tanto confusa para os consumidores como complicada de gerir para os construtores e distribuidores), até final de 2018 devem continuar a ser comunicados apenas os resultados do ciclo de homologação NEDC, o que significa que os valores WLTP deverão ser convertidos para valores NEDC equivalentes. Ou seja, por um lado para o mesmo veículo vão certamente passar a existir (nesta fase de transição) valores diferentes de consumo e emissões em função do ciclo considerado (WLTP ou NEDC), podendo criar assim alguma confusão adicional no consumidor; por outro, e ainda mais importante, dado que com o novo ciclo WLTP se vai assistir para um determinado modelo a um aumento nos valores de emissões CO2, e sabendo-se que em Portugal (como acontece noutros países) esse dado é utilizado para calcular a fiscalidade automóvel, isso terá seguramente implicações diretas no preço de venda.

O CONSUMO E AS EMISSÕES VÃO AUMENTAR? Não, os resultados finais em termos de consumos e de emissões não vão ser afetados. Sabendo-se que este novo ciclo de testes WLTP está muito mais próximo das condições reais de utilização de um veículo (essa é, aliás, a sua grande vantagem), para cada automóvel tanto os resultados de consumo de combustível como das emissões passarão a ser, naturalmente, mais realistas. Na prática, um dado veículo não vai gastar ou emitir mais, o que passa a acontecer sim é que os dados de certificação com que está homologado estarão mais próximos da realidade, do que gasta e emite no dia a dia. Comparando o mesmo automóvel, a adoção do padrão ‘Worldwide Harmonised Light Vehicle Test Procedure’ vai de facto resultar num valor de emissões g/km de CO2 mais elevado face ao valor dado pelo anterior ciclo NEDC, mas isso não irá significar maior consumo (como se sabe, o nível de CO2 que um veículo emite está diretamente relacionado com a quantidade de combustível que o mesmo consome), antes valores mais realistas.

E O PREÇO DOS CARROS? As diretrizes europeias recomendam que os legisladores nacionais ajustem a fiscalidade automóvel aos novos valores WLTP. Assim sendo, a transição para o novo ciclo de homologação não deveria ter um impacto negativo nos impostos e taxas a que os carros estão sujeitos, de modo a não fazer aumentar o preço a pagar pelo consumidor final. Só que vários estados incluem uma componente ambiental no cálculo dos impostos que um carro novo deve pagar, como acontece no caso português, com a tabela fiscal do imposto sobre veículos (ISV) a incidir nas componentes cilindrada e emissões. E como o WLTP vai implicar, para um determinado veículo, um acréscimo no valor de CO2 emitido (comparativamente ao que acontece com o NEDC), isso irá necessariamente significar um aumento na carga fiscal, logo no preço final a suportar pelo comprador. Pelo menos no período de transição, com valores de NEDC-CO2 e valores WLTP convertidos ou correlacionados para/com NEDC-CO2. Exatamente por isso, algumas marcas anunciam ir adotar até final deste ano uma política comercial em que assumem elas próprias o esperado acréscimo de preço, como modo de promover ou pelo menos não inibir as vendas. Em sentido inverso, outras marcas e distribuidores tentam antecipar vendas justamente com o argumento do aumento de preço anunciado para 1 de setembro próximo, aumento esse que poderá representar vários milhares de euros, dependendo do modelo. Tudo isso enquanto não entrar em vigor, espera-se, uma nova tabela de ISV ajustada ao novo ciclo WLTP, uma adaptação da legislação nacional que deverá estar ainda em fase de preparação e que em termos práticos poderá até ter de esperar pelo Orçamento de Estado 2019...

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