Pontos Fortes do Leaf 40 kWh:

Design atraente, por dentro e por fora.

 

Pacote tecnológico competitivo (ProPilot, 
visão 360º, máximos automáticos…), 
tendo em conta o preço.

 

Modo de regeneração eficaz (e-Pedal).

 

Espaço no habitáculo e mala.

E pontos fracos:

Segundas cargas rápidas limitadas a 22 kW.

 

Autonomia diminui significativamente em AE.
 

Em resumo

Sem considerar a bateria e os problemas a ela associados (2.ª carga a 22 kWh...), o Nissan Leaf é uma viatura atraente, que acrescenta ao caráter familiar do original uma nova vertente mais atrevida, que permite mais facilmente ao condutor momentos de diversão, devido ao motor mais potente e direção mais direta.
O design do Leaf deu um salto enorme relativamente à sua primeira fase, embora o velocímetro analógico possa ser visto por alguns como um passo atrás. Os bancos em pele preta com inserções de camurça azul acinzentada são um pormenor bastante feliz e que contribui para aumentar a sensação de qualidade do habitáculo.
Os atuais pontos fracos do Leaf deverão ser colmatados pela anunciada versão de 60 kWh, tornando o modelo elétrico da Nissan numa viatura sem defeitos de maior, e se conseguir manter um preço competitivo então é certo que o Leaf continuará a ser o VE mais vendido na Europa e em Portugal!

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ROAD TRIP

NA SERRA DA ESTRELA COM O NISSAN LEAF

Pode-se dizer que a versão original do Nissan Leaf deu início, há 8 anos atrás, à nova era do veículo elétrico (VE), tendo deixado de ser uma “viatura do futuro”, para circular normalmente nas nossas ruas.
Afinal, o futuro tinha finalmente chegado, e lembro-me de, em 2011, numa iniciativa da Nissan, ter experimentado o carro e ficado impressionado com toda a tecnologia a ele associada, era mesmo “o Futuro, hoje”. Nos anos seguintes, o modelo japonês confirmou as suas credenciais de embaixador da mobilidade elétrica, tendo sido o VE mais vendido no mundo nos anos 2011, 2013, 2014 e 2016.
Também em Portugal o modelo elétrico da Nissan encontrou o sucesso, sendo atualmente o VE mais vendido no nosso país. Mas nem tudo foram rosas...
Como os anos começaram a pesar e a concorrência a apertar, no final de 2017 a Nissan apresenta um novo Leaf, numa revisão profunda do original, com uma bateria maior, de 40 kWh, mais potência (150 cv) e um design interior e exterior profundamente revisto e melhorado. Os designers aproveitaram a ocasião para aproximar o Leaf aos cânones dos restantes modelos da Nissan, como é o caso da frente lembrando o Micra, ou os farolins traseiros com o típico ‘boomerang’ de outros modelos da marca, tendo também recuperado o velocímetro analógico para o painel de instrumentos, preparando assim o Leaf para substituir o anónimo Pulsar no “coração” do mercado, ou seja, no segmento dos pequenos familiares. Para saber se o novo Leaf continua digno da frase “o Futuro, hoje”, levámo-lo numa ‘road trip’ ao ponto mais alto de Portugal Continental...

30 novembro 2018


Saímos ao final da tarde de Lisboa com cerca de 200 km de autonomia no nosso Leaf emprestado, um Tekna topo de gama, de cor branca e com tejadilho negro, que lhe dava um ar desportivo e distinto, e fomos em direção ao Norte na A1.
Logo após os primeiros quilómetros verificámos que o Leaf está bem melhor, mais potente e atrevido. Se antigamente diversão não rimava com o Nissan elétrico, agora tal já não acontece, sendo que por dentro as inserções de camurça azul-acinzentada nos estofos e as costuras azuis em certos locais fazem um belo contraste com o tom predominantemente negro do interior.
Parámos na estação de serviço de Santarém para carregar e depois de voltar à AE, e como a pressa era muita, poderemos ter excedido o limite de velocidade algumas vezes... Não sei, já não me lembro. De qualquer forma, seguimos até Abrantes, onde parámos para dar mais um “cheiro” de carga ao Leaf, mas para nossa surpresa vimos que este estava a carregar apenas a 22 kW! Ainda por cima os PCR da A23 faturam ao minuto... Conclusão: saímos de Abrantes apenas com o essencial para chegar ao Fundão, pois sempre são 123 km até lá e já tínhamos reparado que o Leaf tem um grande apetite por eletrões quando circula a alta velocidade, com a autonomia não ultrapassando os 200 km nessas condições.
Já de noite e com o trânsito a baixar significativamente de intensidade, usámos o sistema ‘ProPilot’ de assistência à condução, que não só controla a velocidade e distância ao veículo da frente como também segue o traçado da estrada sem intervenção ativa do condutor, que se limita a ter as mãos no volante. Também útil naquele tipo de condições foram os máximos automáticos, que só se acionavam quando não havia outras viaturas à frente.
Chegámos finalmente ao Fundão, com apenas 13% de carga na bateria, pelo que era obrigatório carregar a viatura, a qual mais uma vez estava a carregar a 22 kWh. Já tinha lido que o novo Leaf limitava a velocidade dos carregamentos rápidos em dias de calor, mas como a temperatura estava a 5ºC não devia ser esse o caso... Como a espera ia ser demorada, decidimos antecipar a hora de jantar e comer na estação de serviço.
Quase uma hora depois (os operadores que cobram ao minuto devem adorar este novo Leaf – pensei para os meus botões) voltámos à autoestrada e depois de sair na Covilhã experimentei o útil ‘e-Pedal’, que potencia a regeneração da travagem, possibilitando conduzir apenas com o pedal do acelerador; assim, quando o levantamos o carro abranda imediatamente, aumentando com isso a autonomia do carro.
Depois de passar a Covilhã, subimos a Serra da Estrela até ao Hotel Luna Carqueijais, onde o staff foi atencioso e possibilitou-nos carregar durante a noite o nosso Nissan Leaf numa ficha de 220 V.

1 dezembro 2018

Saímos de manhã, com a bateria a 100%, em direção ao ponto mais alto de Portugal Continental, na Torre, a apenas 15 km de distância, mas uma vez lá chegados verifiquei que 16% da carga já tinha “ido à vida”…
Depois das brincadeiras habituais na neve, de visitar as lojas de queijos/enchidos/souvenirs, entre outras atividades da praxe, era hora de rumar para o almoço em Manteigas, tendo depois parado na floresta de vidoeiros do Covão d’Ametade, onde um jovem rio Zêzere se prepara para atravessar o vale glacial até Manteigas, um dos ex-libris mais conhecidos da Reserva Natural da Serra da Estrela.
Lembram-se que na Torre a bateria estava a 84%?... Bem, 22 km depois e 1.200 metros de altitude mais abaixo, graças ao e-Pedal, pudemos carregar 5% de carga da bateria, chegando a Manteigas com 89% de carga e 204 km de autonomia. Experimentem fazer o mesmo numa viatura a combustão…
Depois de um belo cabrito com arroz de miúdos no restaurante típico Dom Pastor, seguido por um passeio pelas ruas da pacata vila, subimos de novo a serra, em direção às Penhas Douradas.
Uma vez lá chegados, foi pena ver o estado de abandono em que algumas casas da povoação se encontram, ainda mais numa povoação como esta que tem uma localização privilegiada, com paisagens de cortar a respiração. 
Seguimos depois para Vale de Rossim, um refúgio de montanha onde o bar/restaurante tem uma vista fantástica sobre a praia mais alta do país, a 1.437 metros de altitude. Claro que a temperatura (6ºC) não convidava a grandes banhos, pelo que preferimos tomar um chocolate quente perto da lareira, enquanto admirávamos a beleza da lagoa.
Já mais quentes, descemos para a aldeia do Sabugueiro, onde nos esperava uma sessão de prova de queijos, enchidos e licores. Quando de lá saímos, o tempo começou a mostrar cara feia, com nuvens baixas ameaçando diminuir de forma significativa a visibilidade, pelo que decidimos jogar pelo seguro e regressar ao hotel sem mais paragens.

2 dezembro 2018

Saímos ao final da manhã do hotel, com o Nissan Leaf mais uma vez com a bateria totalmente carregada e com a indicação de 235 km de autonomia (ou 248 km em modo ECO), em direção a Coimbra, tendo a primeira paragem sido em Seia no museu do pão. Daí apanhámos a conhecida (e sinuosa) Estrada da Beira (EN17), onde não pudemos deixar de reparar que a mancha florestal ainda está vestida de negro, fruto dos incêndios do ano passado, entrecortado por manchas verdes de eucaliptal que, quais ervas daninhas, parecem trepar pelas carcaças das árvores defuntas.
Depois de entrar na A1 em Coimbra, parámos na estação de serviço de Pombal para carregar e, antes de chegar a Lisboa, voltámos a parar em Santarém, para mais uma vez sentirmos a frustração do carregamento a apenas 22 kWh. Felizmente que o operador de Santarém não cobra ao minuto…

José Pontes
co-fundador 
da EV Volumes 
(ev-volumes.com)

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