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LIGHTYEAR ONE: Banho de sol energizante


A solução para fazer com que um carro não-poluente seja capaz de andar continuamente e não precise de estar ligado a um cabo elétrico durante horas parece óbvia. Se é possível usar a energia solar para extrair energia a partir de células fotovoltaicas, deveria bastar montar um painel num automóvel, e este poderia circular por qualquer distância. Obviamente, existem condicionantes a levar em conta, como as condições meteorológicas ou o pôr-do-sol, mas também é preciso resolver problemas relacionados com a eficiência da conversão de luz solar em eletricidade e da capacidade de acumulação da bateria. Os criadores do Lightyear One acreditam ter resolvido essa questão. O Lightyear One foi criado por engenheiros que foram membros da Solar Team Eindhoven, equipa com origens universitárias, que venceu três vezes o Bridgestone World Solar Challenge, uma competição destinada a carros movidos a energia solar. A equipa holandesa de engenharia criou três carros diferentes para cada uma das vitórias: o Stella (2013), o Stella Lux (2015) e o Stella Vie (2017). Todos foram concebidos para poderem transportar quatro ou cinco pessoas no interior, como se fossem um automóvel normal, mas também tinham baixa resistência aerodinâmica e baixo peso, e conseguiram percorrer 1000 quilómetros com o uso de painéis solares. Com estes prémios, investiram na criação da sua nova marca, construindo o primeiro protótipo do Lightyear One em apenas dois anos. Segredo está no tejadilho No Lightyear One, a fonte de energia foi montada no tejadilho, feito de três camadas. A primeira, feita de vidro, serve como proteção contra os elementos e objetos estranhos para as células fotovoltaicas que constituem a segunda camada. Esta é depois integrada na estrutura de suporte, a terceira camada. A equipa da Lightyear conseguiu painéis solares curvos, por motivos estéticos e aerodinâmicos. O método usado para colar os painéis à estrutura de suporte teve que ser desenvolvido pela empresa holandesa, para garantir um peso reduzido. Os painéis solares ocupam uma área total de cinco metros quadrados, suficiente para gerar cerca de 700 kWh por ano, o que em termos práticos deverá garantir uma autonomia de 725 quilómetros, ou uma média de 70 quilómetros por dia, só a partir da luz solar. Estes números levaram em conta as horas de sol anuais da Holanda, pelo que num país como Portugal há potencial para mais. Além do mais, as células fotovoltaicas podem tirar partido da luz refletida, aumentando em 50 por cento a capacidade de geração de energia se o carro ficar estacionado junto a um edifício com superfícies vidradas. Os painéis também foram testados em capacidade dupla, pelo que não deverão sofrer avarias causadas pelo calor que habitualmente se sente no sul da Europa. Mesmo que o céu esteja nublado, a bateria do Lightyear One pode ser recarregada normalmente numa tomada caseira, se for necessário. Os criadores do carro solar optaram por uma bateria compacta, de pequenas dimensões, para reduzir o peso do carro, e um motor pequeno por roda em vez de um motor grande, que promete ser mais eficiente no consumo energético e na geraçao de potência. O uso de alumínio e fibra de carbono na carroçaria (mesmo sem um peso anunciado) e uma reduzida resistência aerodinâmica (Cd 0,20) garantem um consumo baixo, mesmo quando o Lighyear One transporta cinco adultos e 780 litros de bagagem, até porque espaço não falta no seu interior, graças a um comprimento de mais de cinco metros. A Lightyear planeia fabricar 500 carros solares em 2021, e já está a receber encomendas, a um preço de 119 mil euros.

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