• Redação

Na Califórnia com o Tesla Model 3


31 de março de 2016. O dia em que o Planeta Automóvel foi atingido por um meteoro chamado Tesla Model 3, mudando a sua órbita para sempre. Nesse dia, o Model 3 foi apresentado ao mundo, originando uma onda de entusiasmo e de reservas sem precedentes, com a Tesla dizendo que havia recebido 325.000 reservas em apenas uma semana, superando as melhores expectativas.

José Pontes co-fundador da EV Volumes (ev-volumes.com)

Agora, as marcas tradicionais não podiam continuar a enfiar a cabeça na areia como se nada tivesse acontecido e dizer: "Ninguém quer veículos elétricos". Eu também fiz uma reserva, mas levei alguns dias para a concretizar, pois embora o Model S tenha sido um achado, estando anos-luz à frente da concorrência no que toca a tecnologia, e tivesse um design atraente, que fazia a concorrência parecer de uma geração anterior, o passo seguinte foi o Model X... Pois. Esse. Apesar de ter a mesma tecnologia que o Model S (MS), e inserir-se numa categoria de rápido crescimento (SUVs), um design menos conseguido e um excesso de novos truques (Falcon Doors, portas dianteiras autoapresentáveis, etc.) não permitiram que replicasse o sucesso do MS na sua categoria. Assim, a Tesla está naquele momento em que, tal como muitas bandas rock, depois de um êxito e um insucesso, chegou a hora do temido terceiro lançamento: Estrelato ou Falência. Depois de ver a apresentação do Model 3, não tinha bem certeza do que pensar, por um lado, o carro era lindo, uma mistura do melhor da Tesla com o melhor design da Porsche, e as especificações eram impressionantes, mas por outro lado, tinha algumas implicações com o carro: Era um sedan, um formato impopular aqui na Europa, e o interior era… Espartano, na melhor das hipóteses. Um grande contra, especialmente num carro que começava nos 35.000 dólares. Nos últimos meses, agora anos, houve momentos em que quase pedi o dinheiro de volta, mas como o bêbado na ponte, parava no último momento. Agora tive a oportunidade de experimentar o Modelo 3 numa viagem de uma semana pela Califórnia. Obrigado Tesla por fornecer esta oportunidade, aqui fica a crónica dessa semana e os pensamentos finais sobre o carro.

10/09/2018 Recebemos o carro, um Model 3 RWD LR vermelho, no Campus da Tesla em Fremont e, após uma breve introdução ao Robin, assim se chamava o nosso Model 3, o nosso contato na Tesla deu-nos uma pequena introdução prática ao AutoPilot, e alguns minutos depois, despedimo-nos do pessoal da Tesla, ficando finalmente sozinhos com o nosso Model 3 emprestado. Depois dos primeiros quilómetros, tive a sensação de que estava a conduzir um Lamborghini e não um sedan de tamanho médio, pois estávamos bem perto do solo, com um capot curto e baixo à nossa frente, e comportamento em estrada era bastante intuitivo e direto. Outra coisa que me chamou a atenção foi que, apesar de todas as críticas sobre o ecrã central, este é fácil de operar e de ver, com as características mais importantes na área superior direita do ecrã, onde a nossa visão olha primeiro de forma quase instintiva. O sistema de navegação pareceu-me particularmente fácil e preciso, graças aos cálculos de tráfego em tempo real, sugerindo rotas menos congestionadas. Assim, chegamos à nossa base em San José a tempo, e apenas com um minuto de atraso relativamente ao plano de rota original, um pequeno feito, considerando o transito caótico de Silicon Valley. Quando saímos para jantar, era hora do lado familiar do Model 3 brilhar, já que levou 5 pessoas (3 adultos e 2 crianças) para um restaurante mexicano em total conforto. No caminho, dei algumas acelerações repentinas com o Tesla, para diversão das crianças, que diziam: - Isto é divertido! Faz isso outra vez… Ao que respondi: - Ok, só mais uma… aproveitem agora, já que não vou fazer isto na viagem de volta, pois alguém ainda põe o jantar cá fora…

11/09/2018 No início da manhã, fomos para São Francisco, para assistir a uma conferência da UC Davis, e durante a viagem, foi hora de testar as habilidades do Autopilot (AP), percebendo que ele brilha especialmente em duas situações: - Autoestrada sem muito trânsito; - Trânsito pára-arranca. Este último foi bastante útil ao entrar na cidade durante a hora de ponta, já que o sistema fez a maior parte do serviço. Por outro lado, sempre que o tráfego apresenta alterações frequentes de faixa ou semáforos, o “piloto-humano” ainda ganha, porque a inteligência artificial por de trás do AP (ainda) não pode antecipar eventos (por exemplo, a luz verde mudar para amarelo e vermelho) e agir em conformidade, ou perceber o contexto (por exemplo, se um carro na nossa faixa da esquerda tiver o pisca ligado, ele irá para a nossa faixa mais cedo ou mais tarde), algo que permite ao motorista humano antecipar as manobras de outros carros ou adotar a solução mais simples para cada situação (por exemplo, se um ciclista estiver ligeiramente na pista do carro, o AP abranda a velocidade para a do ciclista, enquanto o motorista humano apenas vira o carro ligeiramente para a esquerda, ultrapassando o ciclista). No final do dia, depois de nos livrarmos do tráfego metropolitano de São Francisco, fomos ao Supercharger de Cupertino (SC), carregar pela primeira vez. Considerando as características únicas dos Tesla, queríamos demonstrar que nosso Robin poderia carregar somente na rede de SC da marca durante toda a semana, mostrando a extensão e utilidade da infraestrutura exclusiva da marca, algo realmente importante para pessoas que, por algum motivo, não podem carregar em casa ou moram em áreas onde não há uma infraestrutura de carregamento significativa. Chegamos ao parque de estacionamento do Centro Comercial em Cupertino e no primeiro andar havia uns 12 pontos de carregamento da Chargepoint, a maioria vazia, mas quando chegamos ao segundo nível, onde o SC estava, vimos que todas os 10 pontos de carregamento estavam sendo usadas, e ainda por cima, havia outro Tesla à espera! - Bem, parece que há montes de Teslas por aqui... - murmurei. Felizmente, a nossa espera demorou apenas alguns minutos e finalmente pudemos carregar. Tendo chegado lá com 98 milhas (157 kms), fomos jantar, deixando a carga em 110kW, com o Robin terminando a carga cerca de 40 minutos depois, com cerca de 80% de bateria e mostrando mais de 240 milhas de autonomia (384 kms), com um custo de 8,84 dólares.

12/09/2018 Finalmente começamos o nosso primeiro dia de Road Trip, rumo ao Sul da Califórnia, descendo até à costa em Santa Cruz, a fazendo a nossa primeira paragem em Watsonville, onde a primeira praia revelou a sua beleza tranquila, altura em que o serviço de streaming do Robin tocou os primeiros acordes de The Bittersweet Symphony, dos The Verve, um ajuste perfeito para o momento de contemplação da praia deserta à frente. Depois de pararmos para tirar algumas fotos e sentir o vento frio vindo do oceano, era hora de prosseguir a nossa viagem, continuando a visitar as próximas praias, agora longe da agitação de verão trazida pelos turistas. A hora do almoço estava a chegar quando chegamos a Monterey, onde visitamos a marginal de Cannery Row e tiramos fotos da baía em frente. Era hora do almoço e como Monterey tinha o último SC antes de passar pelo Big Sur, fomos até ele para atestar a bateria e almoçar durante a carga. Foi bem pensado pela Tesla colocar preferencialmente os SC em Shopping Centers ou Hotéis, pois assim há sempre coisas para nos entreter. Com 160 milhas (256 kms) no início da carga, quisemos carregar a bateria ao máximo, pois tínhamos uma viagem longa à frente e nenhum SC por perto. Assim fomos nós para a nossa hora de almoço, deixando o Model 3 a alimentar-se de electrões. Quando voltamos, o carro ainda estava a carregar, pelo que aproveitamos para explorar os menus do ecrã, desde o início que tínhamos feito cerca de 200 milhas (320 kms) com o Robin, com um consumo abaixo da média de 214 Wh / mi, ou 13,4 kW / 100 kms, o que era bastante bom, tendo em conta quen não tinha conduzido devagar, e que usamos o A/C cerca de 99% do tempo. Ao explorar os menus, encontramos alguns recursos interessantes, como o Planeador de viagem, que adiciona paragens em SC ao planeamento da rota, caso se não consiga fazer a viagem em apenas uma única carga, ou a Navegação on-line, que se adapta em tempo real ás condições de tráfego existentes e é útil 99% das vezes (mais sobre os restantes 1% mais à frente no artigo). Um item interessante é o mapa de Superchargers, onde ele mostra não apenas os SC disponíveis em tempo real, mas também o número de carregadores disponíveis, e quantos estão em uso. Se selecionarmos um determinado SC, mais informações são exibidas, como o endereço, a distância, a velocidade de carga, o preço e a opção de direcionar a viagem para lá (os Destiny Chargers também têm esse recurso). Outra prova da geekiness e do livre pensamento reinante na Tesla é o programa de desenho, que juntamente com outros extras (Nave espacial SpaceX, Santa Mode, menus originais e bem-humorados, etc), faz com que um Tesla seja um pouco mais especial e divertido do que a concorrência. Com 99% de carga e 309 milhas (495 kms) de autonomia disponível, paramos de carregar e voltamos à estrada, as próximas paragens foram durante o 17 Mile Drive na zona de Pebble Beach, a sul de Monterey. O 17 Mile Drive tem uma entrada cara (10 dólares), mas vale a pena, a paisagem é linda, lembrando o melhor de Sintra, com floresta bem cuidada e praias de areia branca, onde se podem ver focas e leões-marinhos, terminando com o famoso Pebble Beach Golf Resort. Foi quando voltamos à Highway 1 em direção a Big Sur, que a verdadeira diversão começou, com a estrada sinuosa permitindo explorar melhor o potencial de Robin, que se mostrou um autêntico papa-léguas, com seu tamanho mais compacto e suspensão mais desportiva, o Model 3 mostrou-se mais apto (e divertido) a lidar com estradas sinuosas do que o seu irmão Model S, com o novo bebé da Tesla permanecendo colado ao chão, apesar dos fortes ventos vindos do lado do mar. Junte-se o binário abundante e instantâneo do motor ao que referi atrás, e temos provavelmente o carro mais divertido de dirigir da sua classe, BMW Série 3 incluído. Em determinado ponto da estrada, os telemóveis perderam rede e assim continuamos durante boa parte da viagem, fazendo com que o sistema de navegação também parasse de funcionar corretamente, e terminando o serviço de streaming. "Agora é que é" - pensei: "Agora sou eu, o Robin e a estrada” As próximas milhas serviram para levar o Model 3 aos limites, indo tão rápido quanto as curvas e a estrada estreita (ou o ocasional Ford Mustang alugado) permitiam, e foi muito bom, este era um carro que deixava um sorriso no rosto e até tornava o Big Sur parecer fácil. "Bravo Tesla, apesar de ser um carro espaçoso e confortável para os demais passageiros, ele conduz-se como um carro desportivo quando quisermos que assim seja, e para além disso, tem o AutoPilot para ajudar-nos a lidar com as partes aborrecidas das viagens”. Tendo parado na localidade de Big Sur, que lembrou algo tirado de filmes do Velho Oeste, um casal aproximou-se de nós (num Mustang alugado, claro), quando estávamos saindo do Model 3 para tirar algumas fotos, e um deles perguntou-nos, com evidente sotaque britânico: - Está contente com o Model 3? Ao que eu respondi: - Com certeza, ele conduz-se como um carro desportivo, um Ferrari, ou assim... - Posso imaginar, eu experimentei um Model S e foi muito divertido! - Sim, e este é ainda melhor ... - A sério? Quem me dera que já estivesse disponível em Inglaterra, pois certamente compraria um! Depois de mais algumas paragens, a fim de capturar as paisagens de natureza intocada, finalmente chegamos à pitoresca localidade de Morro Bay, onde iamos pernoitar, tendo feito 140 milhas (225 kms) desde que saímos de Monterey, sendo que o indicador de autonomia ainda mostrava 167 milhas (269 kms). "Fogo, se soubesse que o Model 3 seria tão bom em relação à autonomia, eu teria apenas carregado até 80%, permitindo-nos estar aqui mais cedo" - eu pensei - "Bem, agora já sei ..."

13/09/2018

Era uma manhã húmida e fria, estando o nosso Model 3 coberto pela humidade matinal, fazendo com que o tejadilho em vidro mostrasse umas cores psicadélicas. Quando o sol bateu no carro, um efeito visual estranho sucedeu, criando o que se vê na foto acima. Spielberg não faria melhor… Depois de uma manhã preguiçosa, finalmente saímos e dirigimo-nos para o Supercharger mais próximo, em San Luis Obispo, onde o endereço mencionava um tal de "Madonna Inn" (!?!). Curioso para saber se a artista havia expandido seus negócios para hotéis, fizemos algumas especulações sobre como seria um Madonna Hotel, mas depois de lá chegar, a deceção foi o tom, já que a Madonna em questão era um cowboy local que tinha essa alcunha... Chegamos lá com 152 milhas, e tendo aprendido a lição do anterior dia, o Robin fez uma carga rápida até aos 80%, enquanto almoçávamos num Denny’s ali perto. Depois de uma paragem em Pismo Beach, fomos para o interior, passando pelas montanhas Santa Ynez e de San Rafael, onde a paisagem se tornou mais seca, como se estivesse anunciando um deserto algures. Ao descermos para Santa Bárbara, desejei que o Modelo 3 tivesse um modo “regeneração elevada”, acima da normal, tirando assim uma vantagem maior das descidas íngremes e enviando mais energia para as baterias. De qualquer maneira, quando descemos para a costa, percebemos que estávamos finalmente no sul da Califórnia, o vento era mais suave e quente, os surfistas abundavam e as pessoas ainda estavam em modo veraneante, quase que se podia ouvir The Beach Boys a tocar ao fundo... "Bem-vindo ao sul da Califórnia ..." - pensei. "Agora sim, estamos MESMO na Califórnia!..."

14/09/2018

Depois de uma carga rápida no SC de Oxnard, partimos para o troço final da viagem, passando pelas diversas praias até Santa Monica, fazendo uma paragem mais longa na praia de Yerba Buena para almoçar no famoso restaurante Neptune's Net Seafood, onde surfistas e bikers se encontram, no meio de um monte de turistas. No placard à entrada de Malibu, estávamos a preparar-nos para tirar algumas fotos, quando um turista italiano aposentado se ofereceu para tirar uma foto nossa, nós aceitamos, e depois perguntou-nos se o Model 3 era nosso, depois da nossa resposta positiva, ele respondeu: “Ma che macchina!” Logo depois, fomos cercados por outros italianos aposentados, tirando fotos do carro, de nós e do carro, e deles mesmos em frente ao Robin, juntamente com alguma conversa de circunstância (“De Portugal? Ronaldo!”) numa mistura de italiano e inglês… Depois de passar algum tempo em Malibu, onde imaginámos Pamela Anderson e David Hasselhoff correndo no “Baywatch – Marés Vivas” ao som do famoso tema que acompanhava a série, seguimos rumo a Santa Mónica, onde encontramos algumas belas casas à beira-mar, que lembraram as da série de TV “Clínica Privada”. Ou seriam aquelas? Tendo chegado à adorável (mas cara, 9 dólares para estacionar! F # @ * !!!) Santa Monica, levamos algumas horas a desfrutar as pequenas ondas e a temperatura amena do mar, quando finalmente entrarmos de novo no carro, percebemos que os tapetes do carro estavam agora cobertos de areia, depois de todas aqueles passeios nas praias californianas. “Bem, agora estou contente por não termos tido o Model S...” - Por alguma razão, o visual espartano do Model 3 torna-o mais apropriado como um carro para Road Trip, já que uma pessoa não se sente (tão) culpada por sujá-lo, o que poderia suceder se fosse um modelo mais luxuoso. (Isso deu-me uma ideia para o Model Y, uma edição “Safari”, com maior distância ao solo e um interior totalmente lavável com mangueira…) Perdidos…Em Beverly Hills Apesar da sensação maravilhosa de estar com os pés na água enquanto sentíamos a brisa fresca, tivemos que ir para Pasadena e, embora com pena, deixamos Santa Monica em direção a Beverly Hills, onde por alguma razão (condições do tráfego?), o sistema de navegação mostrou-nos uma rota, e minutos depois, pediu-nos para voltar e fazer outra rota, para minutos depois, queria que retomasse a rota original. À terceira vez, decidimos ignorar a rota sugerida e subir as colinas de West Beverly, e com a ajuda do piloto automático, era hora de apreciar as casas dos ricos e famosos, com o teto de vidro servindo como vitrina para ver as mansões mais acima. Chegando à Mulholland Drive, apreciamos a vista naquela estrada sinuosa, que mais uma vez fez lembrar Sintra, enquanto descíamos para a Ventura Freeway, e aí dirigimo-nos para Pasadena.

15 & 16/09/2018 O fim de semana foi gasto fazendo algumas coisas turísticas, como o letreiro de Hollywood, o Walk of Fame (Um autêntico circo, Jimmy Kimmel ao vivo + pregadores do Juízo Final + fanáticos por cosplay + turistas – Só para terem uma ideia…), Melrose, Beverly Hills, LA Staples Center, os grandes estúdios cinematográficos e os Huntington Gardens, entre outras atrações menos imediatas, como o Caltech Campus (Ainda tentámos encontrar lá o Sheldon Cooper do “Big Bang Theory”, mas sem sucesso), Forest Lawn, ou LA’s Koreatown. Durante o fim de semana, mostrei o Model 3 a um veterano de carros desportivos, que não mostrou muita surpresa pelas habilidades do carro, mas ficou impressionado quando lhe mostrei a densidade da Tesla Supercharger Network, dizendo no final: "Então, podemos fazer uma viagem de costa a costa com um Tesla ... Isso é impressionante, eu nunca pensei que seria possível fazer isso com um EV".

17/09/2018 A Segunda-feira chegou e era tempo de devolver o Model 3 à base em Fremont, e então fizemos a última e mais exigente viagem de todas, fazendo as 356 milhas (570 kms) que separam Pasadena de Fremont em apenas algumas horas, apenas com paragens essenciais no caminho. E para tornar as coisas mais interessantes, não nos preocupamos em carregar o carro no dia anterior, com o Robin Hood, como acabamos apelidando o nosso Model 3, tendo apenas 49% de carga de bateria na segunda-feira de manhã. Uma desculpa que muitos condutores de carros de empresa usam para evitar viaturas elétricas, é que os VEs ainda são principalmente veículos urbanos, incapazes de atender às suas necessidades de andar centenas de quilómetros por dia, com diversas reuniões em lugares diferentes e sempre correndo contra o relógio. Assim, querámos demonstrar que 600 kms podem ser facilmente feitos com um Tesla, sem grandes aborrecimentos para o condutor, e sem grandes esforços de planeamento, daí a meia carga no início do dia. Saímos de Pasadena por volta das 6h, com cerca de 150 milhas (240 kms), e depois de introduzir o destino, o sistema de navegação sugeriu que fizéssemos a auto-estrada I-5, com duas paragens para carregar, ambas de meia hora cada, afirmando que Robin chegaria a cada SC com cerca de 15% de carga. E assim fomos rumo à I-5, evitando o tráfego da hora de ponta, com a paisagem sendo primeiramente feita de montanhas cobertas por vegetação rasteira e seca, lembrando um pouco a serra algarvia, seguindo-se depois o latifúndio do San Joaquin Valley. A primeira paragem foi em Buttonwillow, onde encontramos a Estação de Supercharging da Tesla completamente vazia. Durante os minutos em que carro esteve a carregar, fomos para o Starbucks ao lado, para uma bebida quente (a manhã tinha começado fria) e um muffin, enquanto o wi-fi disponível permitiu-nos conferir os e-mails mais recentes e notícias, pois já era de tarde na Europa. Com o Model 3 agora capaz de fazer mais 269 milhas (430 kms), voltamos para a autoestrada para mais algumas horas de condução, e o piloto automático estava lá para nos ajudar a suportar a monotonia das autoestradas norte-americanas, e controlar a velocidade máxima do carro, pois o nosso Robin pode andar bem depressa, e sem qualquer aviso... Por isso, quando desligamos completamente o Autopilot, podemos ter quebrado o limite de velocidade umas poucas vezes… Digo “completamente desligado”, porque enquanto o controle da velocidade de cruzeiro era essencial para evitar multas da Polícia, achei a função Autosteer aperfeiçoável, tendo-a desligado durante uma boa parte da viagem, especialmente quando tocava a ultrapassar camiões com tráfego vindo de trás. Segunda paragem em Gustine, onde chegamos com 42 milhas (67 kms), e notamos que este SC tinha 12 postos de carregamento, sendo que 4 deles pareciam ter sido colocados mais tarde, possivelmente para responder a uma procura crescente, mas apesar de tudo, o lugar era fácil de detetar, enquanto que o design e número de pontos de carga estavam anos-luz à frente da estação de carregamento local, com apenas um posto disponível e um design demasiado discreto. Ainda assim, nem a Tesla SC nem as estações de carregamento normais recebem alguma menção na estrada, algo que não acontece com os postos de combustível. Por um lado, pode-se entender que um condutor de uma viatura elétrica não precise dessa informação, pois pode encontrar as estações através do GPS, mas por outro lado, se houvesse informação na estrada informando sobre a existência de estações de carregamento, acabaria o mito “Não existe uma infraestrutura de carregamento para EVs”. Ela existe, mas na maioria das vezes não é anunciada para o condutor normal, pelo que não é possível adivinhar o que anda por aí. De volta ao Robin, graças a uma taxa de carregamento de 118 kW, nós rapidamente estávamos de volta à estrada, e pouco depois o tráfego começou a ficar mais denso, anunciando a chegada iminente a Silicon Valley. 1.000km depois, estávamos de volta às instalações da Tesla em Fremont, e… foi difícil dizer adeus ao nosso Model 3 vermelho. Vamos sentir a tua falta, Robin Hood.

Pontos Fortes do Robin: - Autonomia imbatível e rede de recarga à prova de bala fazem dos Teslas os únicos EVs em 2018 que podem ser usados ​​tão facilmente quanto um veículo a combustão; - Sistemas de multimedia e navegação estão um passo à frente da concorrência; - Lógica de raciocínio livre por de trás da Tesla proporcionam características únicas * ao Model 3; - Potência e comportamento difíceis de igualar; - Apesar de não ser perfeito, o Autopilot é uma grande ajuda aos condutores; - Design atraente.

E seus Pontos Fracos: - Interior é funcional, mas abordagem minimalista pode não ser para todos; - O mesmo é válido para o ecrã central; - Botões do volante poderiam ter mais funções; - O acesso ao porta-luvas seria melhor com um mecanismo de emergência, como há para as portas da frente; - Depois de dois anos e meio de espera, o Model 3 ainda não está disponível fora da América do Norte.

As características únicas do Model 3 são truques publicitários ou coisas realmente úteis? Frunk – Funciona como uma bagageira de recurso útil, para as coisas que achávamos que caberiam na normal. Bem isolada do exterior; Puxadores das portas – Podemos não acertar à primeira, mas após as primeiras aberturas, apanhamos o jeito e deixa de ser um problema. Além disso, o design é precioso; Ecrã central - Um possível problema para muitas pessoas, mas pelo menos para mim, foi perfeito, com as informações mais importantes perto do condutor e gráficos claros e simples de perceber. Mas existem algumas coisas fáceis de corrigir: - A linha de comandos na parte inferior deve ser mais flexível, sendo possível alterá-la para cada lado da tela; - Os botões no volante podem ter mais funções, por exemplo, quando o AP está desligado, o botão direito pode funcionar como um comando para alterar as faixas de streaming, rádio, etc. - O programa de desenho é um ótimo complemento para o sistema de entretenimento do carro, mas poderia ser mais desenvolvido, por exemplo, o botão "undo" deve ser capaz de repetir várias vezes, e não apenas uma vez. Abertura dianteira do A/C - Em termos de design, ele é perfeito e em velocidades lentas nem estamos cientes da sua existência, confirmando a sua utilidade. É tão bom que faz querer que a ventilação para o banco de trás também tivesse o novo sistema…

Resumindo: Uma vez que o conduzimos, sentimos que estamos num carro desportivo, com um capot curto, uma direção direta e uma suspensão eficaz. O carro conduz-se como um puro-sangue, mas depois olhamos para trás, e temos um sedan pronto para servir a sua família. É como ter dois carros pelo preço de um, com o bónus adicional de ter custos operativos baixos, tecnologia de ponta e uma infraestrutura de carregamento impecável. Como alguém disse: "Conduzi-lo, é amá-lo"

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