• Redação

Fórum Nissan da Mobilidade Inteligente


A Nissan promoveu em Oeiras a segunda edição do Fórum da Mobilidade Inteligente, com a presença de várias figuras dos mundos político e académico, bem como de empresas tradicionais e ‘start-ups’ ligadas à evolução de vários tecnologias que pretendem tornar a vida na cidade mais ecológica e confortável. Vários dos presentes demonstraram o desejo, através das apresentações das suas ideias e dos seus projetos, de ver a condução autónoma e a partilha de veículos tornarem-se realidade o mais depressa possível.

“Claramente o interesse do consumidor (nos automóveis elétricos) não está só a aumentar, como está a acelerar. O mercado em 2017 duplicou face a 2016 e acreditamos que graças ao efeito do novo Leaf o mercado vai duplicar também em 2018”

Antonio Melica Diretor-geral da Nissan Portugal

Dentro de menos de uma década, o uso do automóvel vai ser completamente diferente... Se hoje é reabastecido na bomba de combustível, amanhã será ligado ao carregador elétrico em casa. Se hoje necessita de sentar-se ao volante, atuar os pedais e prestar atenção à estrada, amanhã pode ir descansado confortavelmente a consultar a sua agenda no smartphone. E se hoje vai obrigatoriamente ter que comprar o automóvel, e este apenas vai ser conduzido por si, amanhã vai chamar um automóvel pelo smartphone e quando chegar ao seu destino o veículo será utilizado por outra pessoa que dele precisa. Esta foi a proposta apresentada na conferência destinada ao tema de condução inteligente no Fórum. Raphael Meillat, responsável pelo estudo do mercado na Nissan Europa, defendeu que a propriedade de um automóvel torna-se uma prisão para o comprador, em vez do símbolo de liberdade que era outrora. Para melhorar a confiança do comprador numa marca, a relação vai ter que mudar, com o carro a ter que eliminar sensações negativas normalmente associadas ao uso moderno do automóvel, como stress e cansaço causados por situações de trânsito. A segurança reveste-se de grande importância, mas também a usabilidade e possibilidade de personalização. Num automóvel partilhado, isto implica maior integração do sistema de infoentretenimento do veículo com o smartphone, em vez de preocupação com as decorações e acabamentos. Vai ser necessário reduzir custos, aumentar a conveniência e melhorar a experiência para o condutor. Mas, assim que os condutores experimentarem carros autónomos, Meillat prevê um tempo de habituação rápido. Para tornar esta segurança e conveniência realidades, os automóveis vão ter que passar a ser construídos de modo a poderem transmitir quantidades enormes de dados, que atualmente não acontece. De acordo com Rui Costa, diretor técnico da Veniam, uma ‘start-up’ especialista em conetividade entre veículos, os veículos atuais equipados com wifi para os passageiros transmitem 10 gigabytes de dados por mês. Mas, para um automóvel se tornar autónomo, vai necessitar de transmitir 30 terabytes de dados. Isto acontece porque o automóvel vai ter que estar em comunicação constante, não só com outros veículos na estrada, mas também com infraestruturas, cujos sistemas de comunicação terão que ser adaptados às necessidades específicas da cidade.

Transformar as cidades A transformação dos automóveis atuais em veículos elétricos, autónomos e conetados vai beneficiar quem anda de automóvel, mas também vai beneficiar os habitantes das cidades de outros modos. E a redução da concentração de dióxido de carbono na atmosfera das cidades portuguesas com a introdução de carros movidos a eletricidade não será o único motivo para melhorar a qualidade de vida nas cidades. E para isso vai ser preciso haver um uso mais eficiente do automóvel e da sua energia. Essa foi a proposta de Filipe Araújo, vice-presidente da Câmara Municipal do Porto, que relembrou que a edilidade já começou a usar veículos elétricos, incluindo unidades do Mitsubishi Fuso Canter e-Cell do serviço de recolha, veículos de limpeza, e unidades dos Nissan LEAF e Renault Zoe para a Polícia Municipal e Serviços Municipais. Ainda não é possível que todos os veículos usados pela Câmara possam ser elétricos, mas a Câmara afirma já conseguir poupar 600 mil euros por ano com a frota atual. A eletrificação e os combustíveis alternativos também se vão estender aos transportes públicos, com a expansão prevista do metro de superfície e a renovação da frota de autocarros com 173 unidades a gás natural e 15 com propulsão elétrica. Mas isto é apenas o princípio. A médio e longo prazo, para retirar veículos da estrada, e para que os veículos existentes não fiquem parados, Filipe Araújo quer ver plataformas de ‘car sharing’ a funcionar, bem como a renovação das infraestruturas urbanas para permitir conetividades entre veículos, através de um centro de comando para partilha de informação. José Gomes Mendes, Secretário de Estado do Ambiente, mencionou que, com a partilha de veículos, vai ser possível eliminar cerca de cinco por cento de automóveis da estrada, e que uma lei para o ‘car sharing’ vai ser criada já em março, prevendo incentivos fiscais para quem aderir.

Acelerar os carregadores Para o público poder trocar o motor de combustão por carros elétricos, acesso a fontes de carregamento rápido são necessárias. Este ano, vão estar em atividade 5500 carregadores por toda a Europa, mas Brice Fabry, responsável pela estratégia de emissões zero na Nissan, afirmou que é difícil encontrar lugares nas cidades para montar carregadores rápidos de acesso público. Oslo, a capital norueguesa, tem essa necessidade com 80 por cento de condutores a utilizarem já veículos elétricos ou híbridos, enquanto a ilha francesa da Córsega é um exemplo bem sucedido da aplicação deste item, com 14 postos rápidos todos separados por menos de 50 km. Em Portugal, 550 postos de carregamento de baixa velocidade têm a companhia de 58 carregadores rápidos, com capacidades de 45 a 50 kW. Mas Alexandre Videira, presidente da Mobi.e, aponta para o facto destes carregadores, com um total de 153 ligações, estarem localizados em 14 grandes cidades, com mais três prestes a receber instalações, e em 10 das principais autoestradas. E, apesar de corresponderem a 10 por cento do total de carregadores, os postos rápidos já correspondem a quase metade da energia consumida por automóveis elétricos. No futuro próximo, os carregadores de 22 kW vão substituir completamente os carregadores mais antigos, e também está prevista a instalação de sistemas V2Grid, permitindo transferir eletricidade da bateria do carro para a rede urbana. A própria Nissan propõe algumas soluções, como explicou Nicolas Joubaud, da Nissan Energy, que aponta para o Reino Unido como exemplo da aplicação de um uso mais eficiente da energia. Neste país, com mais de 20 mil veículos elétricos, estes poderiam representar uma reserva de 220 MW, tornando os automóveis parte da rede de eletricidade em vez de meros consumidores. E isto ficará mais fácil à medida que os carregadores rápidos se vão vulgarizando... n

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