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FICHA TÉCNICA

Motor elétrico    

204 cv, bateria de iões de lítio,

64 kWh 

Tração              

Dianteira, relação única
Suspensão    

McPherson à frente,

multibraços atrás
Autonomia    

449 km

Consumo

14,3 kWh/100 km

(testado: 13,2 kWh/100 km)
PREÇO

45.505€

AO VOLANTE

HYUNDAI KAUAI ELECTRIC

Caminho certo

A variante elétrica do Hyundai Kauai era um dos modelos mais aguardados dos últimos tempos, por ser um automóvel mais apropriado para as necessidades portuguesas, com um preço mais acessível que modelos maiores, e com um consumo energético que pode ser melhor que o anunciado, depois de aprender todos os “truques” do carro.

No fundo, o Hyundai Kauai Electric é o automóvel por que todos os fãs de carros elétricos estavam à espera. É um modelo compacto mas espaçoso, com uma bateria de dimensões generosas que oferece um nível de autonomia aceitável, mais comparável ao que é habitual ver num carro com motor de combustão. Ainda será demasiado caro para a maioria das bolsas, mas também está dentro dos limites estabelecidos para receber o incentivo à aquisição. E, finalmente, no dia-a-dia, tem um comportamento que irá fazer com que os céticos se esqueçam que estão ao volante de um carro elétrico.
Com um conjunto de baterias de 64 kWh no chassis, a Hyundai poderia ser obrigada a fazer algumas concessões num automóvel com 4,2 metros de comprimento, em termos de conforto de ocupantes, mas não há nenhuma diferença apreciável no que diz respeito ao espaço para os ocupantes. A bateria não interfere no habitáculo, e o Kauai Electric tem espaço mais que suficiente para os joelhos dos passageiros dos bancos traseiros, apenas faltando algum espaço para os ombros com três pessoas no banco traseiro, como é habitual em veículos deste tamanho. O valor homologado do volume da bagageira é cerca de 30 litros inferior ao da bagageira do Kauai com motor a gasolina, mas esta diferença é justificada por tratar-se do espaço reservado para guardar o cabo de recarga.
Com uma bateria de 64 kWh, a Hyundai não hesitou em colocar no Kauai Electric um motor que, de certo modo, pode ser considerado de alta performance. Com 150 kW de potência, equivalente a 204 cv, é bem mais potente até que o topo da gama convencional, que “só” tem 177 cv. Mas esta potência extra também tem que lidar com o peso adicional das baterias, uma diferença de quase 300 kg. Por isso, o arranque não é tão imediato como se está à espera, mas não é preciso esperar muito para sentir uma aceleração rápida e linear até velocidades mais elevadas. O Kauai Electric não tem dificuldades em lidar com manobras como subidas ou ultrapassagens, pois, assim que começa a acelerar, mantém o ritmo facilmente. Pode-se, aliás, jogar com os três modos de funcionamento, Eco, Comfort e Sport, para adotar o ritmo que se necessita em determinado momento, mas vão ser raras as vezes em que se tem oportunidade de usar o Sport. O modo Eco é mais importante em estrada aberta do que no trânsito citadino, para prevenir perdas rápidas de energia em aceleração.
Os consumos energéticos são bastante fáceis de controlar, graças ao sistema de regeneração de travagem, que pode ser ajustado com as patilhas por trás do volante. No máximo, nem sequer é preciso usar o pedal do travão, exceto em travagens de emergência, pois o carro consegue travar sozinho mais depressa para recuperar mais energia. Ainda assim, é preferível manter uma redução menos brusca da velocidade, para ter uma condução mais intuitiva. Não é difícil manter os consumos controlados, basta jogar com o modo de condução e aprender a tirar partido das condições da estrada, antecipando descidas e pontos de travagem em cruzamentos, combinando as patilhas no volante e os modos selecionáveis de condução.
Como é possível, com uma condução cuidada e aprendendo a lidar com todos estes ajustes, manter consumos energéticos inferiores até ao que a marca anuncia, ultrapassando os 449 km de autonomia homologada, isto significa que existe alguma margem para a diversão. Afinal, de que adianta ter um carro com acelerações rápidas e com o equivalente a mais de 200 cv se não podemos divertir-nos ao volante de vez em quando?... Até porque uma das vantagens de ter as baterias ao nível do chassis é que estas rebaixam o centro de gravidade do automóvel, melhorando a sua estabilidade em curva. Junte-se a isso a suspensão traseira multibraços, e estamos na presença de um carro que convida a explorar os limites.


Tempo de espera
As baterias de capacidade elevada eram algo de que estávamos à espera, pois um dos principais obstáculos à aceitação dos carros elétricos é a autonomia, especialmente nos modelos mais acessíveis, que para todos os efeitos estavam “presos” nas cidades... Com 64 kWh, o Hyundai Kauai Electric pode fazer viagens maiores, sem problemas. Mas agora surge outro obstáculo associado ao tamanho das baterias, e o modelo coreano é um exemplo: quanto maiores são as baterias, mais tempo estas demoram a carregar. E a velocidade com que carregadores públicos de alta densidade estão a ser instalados ainda não é suficiente para as necessidades dos utilizadores de carros elétricos. Com um carregador público de 100 kW, demora menos de uma hora a atingir 80 por cento de carga, mas se tiver que fazer uma recarga completa quando está em casa, o Hyundai necessita de mais de nove horas ligado à corrente, num carregador normal de 7,2 kW...
O Hyundai Kauai Electric está disponível apenas com um único nível de equipamento, com um preço que, à primeira vista, poderá parecer elevado. No entanto, para justificar os mais de 45 mil euros que a marca está a pedir, o Kauai está bem recheado de equipamento de série, incluindo um ‘head up display’ e um ecrã digital onde se pode aceder facilmente a todas as informações relativas à condução, incluindo carga da bateria. Em termos de conectividade, o sistema de som e infoentretenimento pode ser ligado a qualquer smartphone através dos sistemas Apple Car Play e Android Auto. E o condutor poderá sentir-se seguro ao volante em qualquer tipo de condução, pois o SUV urbano coreano está equipado com o Hyundai SmartSense, um sistema unificado de assistência à condução, incluindo ‘cruise control’ adaptativo com capacidade de acelerar e travar no trânsito urbano, aviso de ângulo morto, aviso de tráfego para saídas de estacionamento em marcha-atrás e até detetor do nível de atenção do condutor. 

Paulo Manuel Costa  (texto)

Com uma condução cuidada e aprendendo a lidar com todos os ajustes, é possível manter consumos energéticos inferiores até ao que a marca anuncia, ultrapassando os 449 km de autonomia homologada.

Com uma bateria de 64 kWh, a Hyundai não hesitou em colocar no Kauai Electric um motor que, de certo modo, pode ser considerado de alta performance: 150 kW de potência, equivalente a 204 cv.

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